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ÒRÌSÀ ORÍ

Segundo o pensamento da Cultura Yorùbá, o homem é constituído pelos seguintes princípios vitais: ARA – corpo físico; ÒJÌJI – Essência Espiritual; OKÁN – literal “coração” com profunda relação com o èjè (sangue), sede do pensamento intuitivo e fonte originária de todas as ações; ÈMÍ – sopro Divino, intimamente ligado a “respiração”. Quando uma pessoa morre se diz que Èmí foi embora. ORÍ – literal “cabeça”, abriga Orí Inú, a Consciência, responsável pelo destino pessoal, pelas oportunidades e dificuldades existenciais. Orí é a mais importante Divindade dessa constituição do Ser, visto que, por maior que possa ser o empenho das outras Divindades em tentar fortalecer o Ser, tudo dependerá de ser sancionado por Orí. Única Divindade que vem do Òrun para o Àiyé junto com o Ser e com ele fará a viagem do retorno. Orí Inú já existia antes do nascimento do Ser no Àiyé, podendo ser comparado a palavra “alma” ou “espírito”, segundo nos relata um destes èsé Ìtòn Odù Ifá que compõe o Odù Ògúndá Méjì nos informando que Orí é a única Divindade que acompanhará o Ser no além túmulo. Todos nascem com um “destino” a realizar, mas isso não quer dizer que sejamos um “joguete” nas mãos das forças que “determinam” radicalmente os acontecimentos a serem vividos no Àiyé (no Mundo). O Ser tem o poder de decidir pelo rumo dos acontecimentos da sua própria vida, principalmente de modo responsável do seu desenrolar, ampliando sua consciência e conhecimentos, desenvolvendo e disciplinado sua vontade, um dito popular Yorùbá diz: “A consciência da própria responsabilidade exigirá a disciplina da vontade”. Ifá diz que: “As realizações fundamentais da existência dependem não apenas de inclinações naturais ou da sorte, mas também dos esforços pessoais que, aliados à força do destino (Odù), promovem o desenvolvimento do ”Homem forte”, rico em saúde, genitor de prole numerosa e possuidor de respeitáveis recursos materiais.” ( Bàbálàwó Fabunmi Sowunmi) Orí Inú (Eu interior) e Eléèdá (Destino pessoal trazido pelo Odù + Òrìsà individual) estão relacionados intimamente. Nos conta Ifá em uma Ìtòn Orí Òfúnkònròn em sua tradução para o Português: “Ao amanhecer Olókònròn não colocou sua coroa”. Não colocou em seu pescoço seu ilèké nlá (Grande Colar) que revela sua realeza. Não vestiu roupas especiais de ide. É com nobreza que se trata o nobre. É com sabedoria que se trata o sábio. Quando o mais velho parte fica o mais novo em seu lugar. É com prosperidade que se cresce na vida. Orí que será coroado não precisa ser grande. O pescoço que ostentará o colar da nobreza não precisa ser grande nem comprido. O corpo que vestirá o vestido com roupa de ide não precisa ser grande. Foram eles que fizeram um Jogo Divinatório para Orí no dia em que ele estava vindo do Òrun para o Àiyé. Orí perdeu-se e foi consultar Egúngún. Orí perdeu-se e foi consultar Oró. Orí perdeu-se e foi consultar Ifá, que é quem indica o caminho do Ser. Eléèdá, o Destino, indica ao Ser um bom lugar. Aquele que vem para o Mundo e deseja Ter sorte na vida deve perguntar à Ifá. O Ser que vem ao Mundo e quer ser importante deve deixar espaços para fazer perguntas. Não respeitar os conselhos dos outros, não respeitar as pessoas que podem orientar, deixar de perguntar pelo caminho é o que faz o homem se perder. Orí o grande teimoso. Òrìsà chamou Orí. Ele diz que Orí não tem sabedoria: – Você não sabe que Òsó é o líder dos feiticeiros? – Você não sabe que Ajé é a líder das bruxas? O Ser é quem dá origem ao Ser. O animal é que dá origem ao animal. – Orí, você não sabe que a mosca, antes de vir ao Mundo, consultou Ifá? – E que quando o pássaro vem ao Mundo, antes de vir, consulta Ifá? – Você sabe que nem as árvores que estão na floresta vieram ao Mundo sem antes consultar Ifá? – E que as folhas também não vieram ao Mundo sem antes consultar Ifá? Sòngó diz que quando você fala em sabedoria a uma pessoa e ela não entende, pode ser chamada de Ko Si (não sabe – ignorante). Orí se cansou. Orí pensou muito e ficou cansado com seus problemas. Ele não sabia o que falar. Não sabia o que fazer. Quem não pergunta por nossos problemas não saberá de nossos problemas. Ògún chamou Orí: – Aquele para quem você se esforça para transmitir sabedoria e não chega a ser sábio (não aprende) é como uma árvore que não responde; – Aquele que você se esforça para transmitir conhecimentos e não chega a Ter conhecimento é como uma palmeira em uma floresta; – Aquele cuja sensibilidade você estimula e não chega a ser sensível é como uma árvore na qual se esbarra. – Aquele a quem você indica o caminho e não reconhece o caminho é como uma árvore a que prestasse um favor. Ògún ainda diz para Orí: – Já te dei sabedoria. Agora procure mais sabedoria e junte à que já te dei. – Já te dei conhecimentos. Agora procure mais conhecimentos e junte aos que já te dei. Ògún foi embora dizendo: – Quando recebemos sabedoria de um sábio devemos acrescentar a ela nossa própria sabedoria. Quando recebemos sabedoria, orientamos aos outros. O que detém sabedoria é chamado de sábio. O que conhece as coisas é chamado de conhecedor. O que tem sensibilidade é chamado de sensível. Orí pensou a respeito de sí próprio. Estava cansado de si mesmo. Orí foi consultar Èsú e lhe disse: – Você Èsú que é famoso e generoso, é você que vim consultar. Orí lhe disse que pensara tanto sobre os próprios problemas que chegava ao ponto de sentir um nó no intestino. Èsú disse para Orí que seu problema era consigo mesmo e pediu a ele que o conduzisse para o Mundo. Èsú lhe pediu: Três búzios; Um galo; Bastante azeite de dendê; Bastante oti (gyn). Orí providenciou tudo. Èsú lhe disse: – Quem tem prosperidade no Mundo tem que separar a parte de Èsú. – Quem quiser procriar no Mundo não deve deixar Èsú para trás. E perguntou para Orí: – Você não sabe que eu sou o mensageiro de Elédùmarè? – E que sou eu quem estou atrapalhando seu caminho? – Que sou eu que estou te empurrando para todos os caminhos? Orí deu-lhe as costas e foi indo embora. Èsú o chamou para que voltasse. Disse-lhe que quando uma pessoa faz uma pergunta, deve aguardar a resposta. Èsú mandou que Orí o acompanhasse e o levou para a casa de Òrúnmìlà. Na casa de Ifá, Èsú deu para Orí um búzio para que ele falasse nele os seus problemas. Orí falou no búzio seus problemas e entregou a Òrúnmìlà. Òrúnmìlà fez o jogo. O que apareceu foi um símbolo de que Orí se perdera no caminho. Òrúnmìlà disse: – Orí, você se perdeu muito e foi parar no infinito. Sofreu tanto que já está perdendo os cabelos. – Você andou e foi para na casa de Sòngó. – Você andou e foi parar na casa de Ògún. Falaram com você pro metáforas e símbolos e você não entendeu. A terceira pessoa, que é Èsú, foi quem te trouxe aqui. – Você não sabe que ninguém vai para o Mundo sem antes consultar Ifá? – Você não sabe que ninguém faz nada se deixar para trás a importância de seu Orí? – Você não sabe que ninguém faz nada sem pedir consentimento de seu destino? Òrúnmìlà pediu que Orí providenciasse os seguintes elementos para Ifá: 2 camundongos; 2 peixes; 1 galo ou galinha grande; 1 cabra com chifres grandes; Obi grande; Orógbó grande Sèkèté (um tipo de aguardente). Òrúnmìlà recomendou que Orí oferecesse um galo para Èsú. Òrúnmìlà recomendou que Orí oferecesse um obi de três partes e água fresca para seu Eléèdá. Orí providenciou tudo. Fez as oferendas para Ifá, para Èsú e para seu Eléèdá, conforme instruído por Ifá. Após as oferendas Ifá respondeu para Orí: – O seu problema não está nem com Egúngún nem com Òrìsà. Seu problema é com seu Eléèdá. Se o homem tem prosperidade na vida agradeça a seu Orí. Se o homem tem progresso na vida agradeça a seu Orí. O homem deve venerar seu Orí porque ele é o primordial entre os Òrìsà. Orí é o mais velho dos Òrìsà. Òrúnmìlà chamou Èsú e mandou que indicasse o caminho para Orí. Quando Èsú chegou a encruzilhada que liga o Òrun ao Àiyé, mostrou o caminho que Orí deveria seguir para encontrar seu Destino. E mandou que ele seguisse esse caminho entoando a seguinte cantiga: “Meu problema não é com Egúngún; Meu problema não é com Òrìsà; Meu problema é com meu Eléèdá.” CONCLUSÕES: Devemos observar que Orí recebe ensinamentos de Èsú, Sòngó, Ògún e Òrúnmìlà. Ògún enfatiza que o esforço do Mestre não é suficiente para desenvolver o Aprendiz. Tem que haver o empenho de ambos e determinada tarefa do Mestre cabe ao Aprendiz dar continuidade a busca de mais conhecimentos, pois para ele caberá o trabalho de levar conhecimento para outras pessoas. Èsú mostra para Orí a necessidade de perguntar, sanar dúvidas e aguardar a resposta. Deixa ele claro também que uma das coisas que fez por desorientar Orí foi a negligência no trato com Èsú. Já Òrúnmìlà, além de enfatizar que os ensinamentos dados por Èsú e Ògún salientam a necessidade de Orí seguir conselhos de quem orienta. Acatado por Orí todos os conselhos e ensinamentos, mesmo assim é recomendado que ele retorne para ao Àiyé repetindo, para não se esquecer, que seus problemas e respectivas soluções serão encontradas na sua relação com seu Eléèdá. COMPILAÇÃO E ADAPTAÇÃO: AWOFA IFAKEMI FONTE: Amèyìn Gbómo Ekùn – Luiz de Ògún CECY – Centro de Estudos da Cultura Yorubá – SP

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